Jair Ventura decide ousar e Botafogo paga caro em jogo pela Libertadores

Jogando sem Bruno Silva, Jair muda esquema de jogo e sofre contra o Barcelona.


Casa cheia, invencibilidade dentro do Nilton Santos, time apresentando um bom rendimento dentro de campo, possibilidade de classificação antecipada. Alguns dos ingredientes que estavam presentes no jogo entre Botafogo e Barcelona de Guayaquil. Tudo a favor para que o Botafogo conseguisse ser, de forma surpreendente, o primeiro time brasileiro a garantir vaga nas oitavas de finais da Libertadores 2017.

Jair orienta o time durante a partida. (Foto: André Durão/globoesporte.com)


Mas no jogo em que o Botafogo deveria ter mais cautela, por jogar contra o adversário que disputava essa vaga diretamente, e por ser uma equipe muito conhecida, por jogar como a equipe carioca, marcando forte e explorando os contra-ataques em velocidade, o Técnico Jair Ventura, resolveu ousar e escalar três atacantes.

Sem Bruno Silva, suspenso, Jair abriu mão do esquema com três volantes, e escalou o trio de atacantes para tentar ser mais ofensivo. No entanto, acabou enfraquecendo o setor de meio campo, que sempre cumpriu um papel muito importante na proteção à zaga. Com laterais que apoiam muito, principalmente pelo lado esquerdo com Victor Luís, e com uma zaga lenta com Carli e Emerson Silva, essa participação dos volantes, acaba sendo o ponto crucial para o Alvinegro.

João Paulo e Ayovi disputam bola em lance de ataque dos equatorianos. (Foto: Thiago Ribeiro/AGIF)


A mudança de esquema no jogo de ontem, acabou sendo decisivo na derrota. O time não conseguia ocupar o meio campo como nas outras partidas, e os equatorianos tinham muita tranquilidade para tocar a bolar e criar as melhores chances. Camilo, que além de não estar vivendo um bom momento, ainda ficou em campo mais de 10 minutos sentindo dores e não recompondo na pressão à saída de bola do adversário. O trio de atacantes também não voltavam com frequência, o que deixava o Botafogo, muitas vezes em desvantagem numérica contra os rivais.

A mudança não atrapalhou só o meio campo, como o ataque também. O trio de volantes que estavam jogando, Aírton, João Paulo e Bruno Silva, além de muito forte na marcação, se revezam muito no apoio ao ataque, não sobrecarregando Camilo nessa função. Ontem, o time buscou muitas bolas longas para os atacantes que jogavam pelas pontas, Pimpão e Guilherme, e a grande maioria paravam nas boas antecipações dos zagueiros adversários. Após a saída de Camilo, Aírton e João Paulo ficaram ainda mais sobrecarregados, tendo que apoiar e voltar rápido para fazer a recomposição.

 A derrota de ontem, apesar de desapontar muito os botafoguenses, não pode ser levada como o fim dos tempos. O Botafogo ainda depende somente de si para se classificar. Restando duas rodadas, o alvinegro enfrenta o Atlético Nacional (Col) no Nilton Santos, e o Estudiantes na Argentina.  Dependendo do resultado de Barcelona e Estudiantes, na próxima rodada, até um empate pode classificar os cariocas. Resta agora, Jair retomar as origens do Botafogo sobre seu comando.


Todos os méritos para os equatorianos, que souberam jogar conforme estão acostumados, esperando a saída do Botafogo, e aproveitando muito bem as chances que teve. Vale destacar a atuação do bom goleiro Banguera, que foi peça importantíssima nos dois jogos contra a equipe Brasileira. 

Banguera sai para disputar bola Sassá. Goleiro foi destaque nas duas partidas. (Foto: André Durão/GE)

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