No dia do aniversário de 3 anos dos 7 a 1 para a Alemanha dentro dos gramados, o Brasil mostra que nosso 7 a 1 continua fora de campo.
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| Confusão em São Januário foi o principal destaque do sábado de futebol. (Foto:
Guito Moreto/Agência O Globo) |
Em menos de 15 dias, duas imagens fortes chamaram a atenção
de forma negativa nos noticiários esportivos. A primeira, um pai carregando o
filho de cinco anos no colo, ambos com os braços erguidos, para não serem agredidos
por Policiais que tentavam conter a briga de torcedores no jogo Goiás X Vila
Nova, pela série B do Campeonato Brasileiro, no dia 24 de junho. A segunda, durante
a apresentação do programa Troca de Passes do SporTV ontem, em um vídeo reproduzido
enviado pelo whats app, a imagem de uma criança sendo carregada para fora do estádio
por um policial.
Ambas imagens, que não vou posta-las aqui, por se tratar de
cenas que não devem, ser reproduzidas refletem o quanto estamos perdendo a
guerra para marginais disfarçados de torcedores, que ainda frequentam estádios
com intuito apenas de provocar a violência a qualquer custo, sem se importar
com quem será afetado por essas atitudes. Essas pessoas pra mim, são bandidos,
assim como qualquer outro que mata, assalta, rouba ou que for.
Já passou da hora de ter medidas de punição mais severa a
essas pessoas. O futebol não merece isso. Um esporte com intuito de unir as
pessoas, não pode virar algo para ser assistido na televisão, por medo de ir ao
estádio e não ter a certeza de que chegará em casa com segurança.
Quando digo que isso não é futebol, que futebol é muito
maior do que essas pessoas, podemos lembrar da imagem do menino Carlinhos, o
Indiozinho Condá, mascote da Chapecoense, chorando após o desastre com o time.
Acidente esse que mostrou a força que o futebol pode ter em aproximar as
pessoas, visto toda a comoção e repercussão de solidariedade que o acidente
envolveu.
Não cabe aqui discutir nem a questão de onde o jogo de onde
foi realizado. Tá certo que São Januário não tem estrutura para receber um jogo
do porte de Vasco e Flamengo, mas no Beira Rio, que é considerado um dos
melhores estádios do País, também teve confusão. Então não podemos deixar que a
questão do local da partida seja mais importante do que procurar os falsos
torcedores e puni-los.
Outro ponto que deve começar a ser investigado e tomado
medidas, ai cabe aos clubes também, é começar a fazer uma identificação mais
fortes de membros de Organizadas. Infelizmente ainda é muito grande o numero de
torcedores de uniformizadas que estão envolvidos nessas confusões. E sabe o que
pior, muitos clubes doam os ingressos para essas organizadas. Ou seja, muitas
vezes, o próprio clube está colocando essas pessoas lá dentro, de graça, para
simplesmente, toca o terror. E sabe outra coisa que deixa a gente mais
revoltado ainda? Enquanto esse baderneiro está entrando de graça nos estádios,
o Sr. José da Couves, humilde, assalariado, que quer ir ver o jogo com o
intuito de ver seu time de coração jogar e acompanhar de perto seus ídolos em
campo, não pode ir porque senão, não tem dinheiro pra colocar comida dentro de
casa, já que os preços dos ingressos não estão nem um pouco acessíveis.
Não quero generalizar também, assim como em todos os setores da sociedade, as organizadas também tem seus torcedores de bem, que querem
realmente fazer festa e apoiar seus clubes. Então, está na hora desses
torcedores também começarem a denunciar essa turma para afasta-los dos estádios.
Infelizmente eu não sou o primeiro e escrever sobre isso, e
infelizmente não serei o último. Está virando uma cultura ruim as brigas entre
torcidas, sejam umas com outras, ou ate entre torcedores do mesmo time. O
Brasil lidera o ranking de mortes motivadas por brigas de torcedores no mundo.
Só esse ano, contanto com a de ontem, foram duas mortes só no estado do Rio de
Janeiro motivados por confrontos em estádio. Até quando vamos aceitar isso calado?
Até quando o Poder Público vai continuar fechando os olhos para esse problema,
como se isso fosse algo apenas de responsabilidade dos tribunais de justiça
desportiva e deixar de punir de forma rígida esses vândalos?
Esse não é o país do futebol que aprendi a amar ouvindo as histórias que meu
avô, meu pai e meus amigos mais velhos contavam. Esse não é o país do futebol
que quero para ensinar meu filho a amar como eu aprendi. O futebol Brasileiro
amanhece mais um dia de Luto!

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